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Drawing by Numbers

O afastamento de 10 dirigentes da Função Pública e o documento de gestão por objectivos numa esquadra da PSP, onde se apontam o número de detenções a realizar até o fim do ano, revelam algo que já se supunha: se não é mensurável não interessa ao governo. A obsessão numérica vem de onde? Da necessidade de demonstração da "eficácia" das medidas tomadas. Por via de que? Da estatística. Entre que termos de comparação? Entre os dados do governo e...os dados do governo. Nos últimos 3 anos, o afã com que se dedicaram a avaliação quantitativa, o tempo gasto em todo este processo (tempo de formação; aplicação; contestação; pressão e coação para a efectivação, aplicação relutante de métodos incoerentes e contraditórios visando unicamente o insucesso do avaliado para que não existam subidas de escalões nem excelência dos serviços, tudo isso em prazos absurdos e precipitados) deve ter baixado a produtividade dos serviços em pelo menos um terço. Já não se fala de trabalho, fala-se de como...

Shreks do mundo, uni-vos!

Algo de profundamente inquietante se passa no país. É perturbadora esta tentativa de lavagem de imagem (ou de por o lixo para debaixo do tapete!). Nos últimos meses, a preocupação com a moral, os bons costumes, a verdade e outras virtudes começam a ser emanadas em decretos e regulamentos, em planos de intenção e abaixo-assinados. E o mais perturbador é o seu efeito sobre os Direitos, Liberdades e Garantias que o cidadão, este indivíduo incapaz, indolente e servil, terá de cumprir para o seu próprio bem. Há um sem número de tentativas educadoras emanadas por gente que nunca simpatizou com Mao, mas reconhece-lhe os méritos de “ensinamento”, os que praticam o culto xoné do “eu é que sei o que é melhor vocês fazerem”, há leis de controle que nem o mais revolucionário activista na sua fase mais ortodoxa se atreveria a aplicar e por ai a fora. Estes sinais perturbadores do fim de uma era de Liberdade apontam para o fim do país Portugal e da emergência de uma Europa asfixiada a troco do bem e...

As três etapas da diplomacia com o Irão

Obama, no seu tecnológico estilo, deixou uma mensagem de aproximação ao Irão. Uma mensagem culturalmente capaz, inteligente, de reconhecimento da relevância cultural do país (e por inferência do mundo árabe) sem deixar de dar a entender que não abdicava das posições e crenças do seu país. Para quem estava habituado ao estilo Bush (ou seja, a ausência de estilo) é um progresso assinalável. No entanto, como já o tinha referido em posts anteriores, o processo de normalização das relações americanas depende mais dos actos do que de palavras. Historicamente, o Irão tem todas as razões para desconfiar do Ocidente e dos americanos em particular. O Imperialismo emergente do pós-guerra e o tão necessário petróleo ditaram uma politica de subversão ao regime iraniano desde a queda de Mohammad Reza Pahlavi. Tentaram usar uma estratégia semelhante ao processo saudita – onde bastou seduzir e corromper uma família que impõe com mão de ferro um regime cruel acolitado num sistema quase feudal de depend...