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Alice no país da crise

The rule is, jam tomorrow and jam yesterday - but never jam today.

“- A questão é - disse Humpty Dumpty - quem é o chefe – isto é tudo.”

Lewis Carroll

Quando comecei este texto ainda não sabia da posição da União Europeia face ao PEC.

O que não muda absolutamente nada do que ia fazer.

Ia falar sobre a Alice, essa mesma que caiu no buraco quando perseguia um coelho maluco. Essa, que conhece a crise melhor que nenhum outro personagem da literatura.

Toda a história aponta para o drama vivencial de procurar uma lógica para tudo: os nossos actos, omissões e palavras; para o drama de crescermos e constantemente necessitarmos de formatar a lógica à Lógica que se adultera a cada lógica, mesmo que sem lógica.

Confusos? Então estão no caminho certo.

Alice viveu a crise e sobreviveu. Não a mesma Alice, outra Alice que mudou porque viveu e jurou não esquecer até o dia em que não mais se recordar.

1. A Queda

Retomando a história, a personagem vai (cai?) num pequeno país quando perseguia um coelho. A queda é longa e surpreendente. Passa do medo do fim da queda até a reflexão e observação do que se vai passando durante o tempo que leva a embater no chão. A dado ponto o receio (do fim da queda) é esquecido, ignorado.

O que nos leva a questão se o pior será cair infinitamente ou esborrachar-se no chão.

Terminado o receio com uma aterragem segura, há que encontrar a porta. Mas passar pela porta tem um preço: a transformação.

Não apenas crescer ou encolher: chegar a uma proporção através da "adequação".

Come-me ou bebe-me, enfim ajusta-te, adapta-te.

Se o fizeres, tens a chave. E a chave abre portas. Se estamos no fundo dum poço tão profundo como o infinito e a única saída é uma porta à qual temos de nos ajustar, o que nos resta?

Apenas assumir a forma e a dimensão necessárias para se escapulir.

Neste processo mudamos porque nada mais nos resta.

Temos de nos adaptar a quem construiu a porta que nos dá passagem para outro desconhecido lugar.

Mas já não caímos. Pelo menos por agora.

Pelo menos enquanto outro coelho branco não nos despertar para uma perseguição e nova queda.

Nada importa, já não somos nós. Estamos diferentemente adaptados, no ponto exacto para passar a porta normalizadora.

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