O direito dos cidadãos torna desnecessário o direito dos estrangeiros.
Os registos de voo obtidos por Ana Gomes em 2006 revelam que, entre 2002-2006, em pelo menos 94 ocasiões, aviões cruzaram o espaço aéreo português a caminho de ou provenientes da Baía Guantanamo . Em pelo menos 6 ocasiões aviões voaram directamente das Lajes nos Açores para Guantanamo. Ver o relatório da ONG britânica. Não creio que isto nos deixe mais seguros e tenho a certeza de que me deixa a consciência pesada, foi o estado em que me integro que permitiu isto. PS (por sugestão do Vinhas). As notícias sobre um dos aviões que transportaram presos para Guantánamo e que agora se despenhou no México carregado de cocaína podem ser vistas aqui e aqui ou ainda aqui.
Comentários
E, nesse mundo perfeito, "estrangeiro" será uma palavra que se vai procurar no dicionário.
JonY P'
Não me parece que gostaria muito de morar num mundo perfeito...a perfeição é inimiga da liberdade.
"Anarquia sim mas tanta não"
Então "se" atingissemos o mundo perfeito ainda havia lugar a evolução dialética? Seremos assim tão masoquistas? Por mim, que me têm feito ver, só tão recentemente, que ainda temos botas e que elas devem ser usadas, arrumava-as de imediato! A safar os sapateiros está o Pedro ter razão em afirmar que "O Homem não existia tal como o conhecemos". Por falar no Pedro, então "Anarquia sim, mas tanta não"?? TOMARA-MOS NÓS! Seria a LIBERDADE PERFEITA.
Não se ofendam perante uma ligeira provocação para voçês os dois (trata-se até de um pensamento que eu subscrevia quando era menos crescidinho, para justificar outros sistemas): Não tarda nada vejo-os em sintonia com John Rawls em "Uma teoria da Justiça":
Toda a gente deve ter a mesma liberdade e, dado esse constrangimento, tanta liberdade quanto possível.
E,
As desigualdades entre as pessoas só se justificam se os que estão pior estiverem na realidade melhor do que estariam num outro sistema qualquer mais igualitário.
JonY P'
No que me diz respeito, não tenho absolutamente nenhum problema em relação a um nigeriano, brasileiro ou mesmo, com algumas reservas, a um francês (é que terminei recentemente algumas leituras sobre os procedimentos dessa gente neste nosso país durante as guerras peninsulares e,... ainda não fiz toda a digestão!).
Não obstante, confesso que frequentemente tenho problemas com comportamentos de outros cidadãos deste mundo imperfeito e, no mundo perfeito, muitas culturas, comportamentos, usos e costumes teriam sido erradicados (ou usando um termo politicamente mais correcto; teriam evoluido). Até lá, essa erradicação será o fermento de muita conflitualidade.
No mundo perfeito todo o cidadão tem o mesmo estatuto porque simplesmente todo ele é, individualmente e públicamente, um cidadão perfeito.
E, tratando-se de um mundo de seres perfeitos, todos teriam a sensibilidade de não ferir, pelo seu comportamento individual, público e social, a susceptibilidade e o direito de qualquer outro.
Nesse mundo, tal sensibilidade seria tão natural que a palavra estrangeiro até teria de se procurar no dicionário, como afirmei na postagem inicial.
Quanto a igualdades e perfeições optemos por dar uma forcinha, por pouca que possamos, á referida evolução para a perfeição, mesmo que ela esteja sempre além: Não só nos mantém ocupados em algo que vale mesmo a pena, como a opção da emigração para outro mundo...minha senhora,... depois teria de comentar por via sobrenatural, o que seria uma maçada e me deixaria muito triste.
Jony P'
Sugiro Jony P' umas viagens, divertes-te e enriqueces - caso não optes pelo resort tipo aquário.
Se isso é falta de humildade? Fico a saber.`
É que os comportamentos que incomodam são aqueles que, independentemente das culturas, mas muitos com raízes culturais, ferem o modo como eu vejo o que é liberdade individual e colectiva das pessoas. Se outros têm outro conceito de liberdade, com humildade, aceito mas pergunto:
As mulheres na Arábia Saudita já podem andar na rua vestidas como lhes apetece? Já podem decidir sobre o seu presente e o seu futuro? As, da maior parte do mundo, já têm as mesmas oportunidades e facilidades? A casta dos intocáveis, na Índia, já pode aspirar a alguma dignidade? As lapidações, os enforcamentos, os fusilamentos, em certas paragens e muitas vezes por questões de opinião ou de comportamento fora dos canones morais impostos, deixaram de ser prácticas ainda visíveis? É aceitavel decepar uma mão como pena a ser aplicada por roubo? Numa ilha da Pacifico acabou o ritual funerário de fazer dos miolos do defundo uma refeição para os seus familiares, a ponto de se ter verificado uma doença humana, mas do tipo da das vacas loucas? Já faleceu a última chinesa a poder mostrar o resultado da práctica do enfaixamento dos pés? etc.,etc.
Falta de humildade?!!..
Com toda a humildade, acredito na aculturação universal. E, com o mundo cada vez mais pequeno ela acontecerá - tenho a certeza. Mas, ainda temos muito a aprender, a transmitir, e que gerir muitos conflitos.
Dados os exemplos acima, curiosamente é natural ser mais raro termos problemas com os nossos comportamentos, apesar de termos efectivamente comportamentos susceptíveis de provocar problemas a outrém. Mas sobre isso, tu e o Vinhas é que gerem o Blog e poderão lançar o tema quando entenderem. Contudo, e só porque é mencionado o comportamento rodoviário, é um estéreotipo a relação mencionada (civismo na estrada/qualidade da carroça). Também há quem o relacione em termos rEdoviários: (civismo na estrada/carrinha comercial com redinha). Balelas. Álias seja carroça melhor ou carroça pior, seja chique ou "broeiro", seja preto seja branco, cabemos cá todos.
Eu tento distinguir é BOA gente de MÁ gente. E, há boa gente e má gente em todos os lugares, credos e culturas.
A propósito de viagens, adorei a sugestão. Podendo (haja dinheiro!) lá irei eu. Mas atenção: Por acaso as pessoas mais retrogadas que conheço são bem viajadas. E nem todas no estilo resort aquário: uma viveu quatro anos na ásia (Índia e Macau), outra por muitos sítios, como "médico sem fronteiras".
Enfim, o conceito de espirito aberto e enriquecimento cultural pode ser muito relativo. E, com humildade, penso ter o espirito aberto o suficiente para nunca etiquetar ou adjectivar ninguém, e a ponto de aprender e dar razão aos que a demonstrem (Como já aconteceu neste blog)
J.P'
MAS,...TODOS QUEREM? E,...COMO É COM OS QUE NÃO QUEREM? É a isso que me referi: Ás senhoras, a viverem noutras paragens que não a da mencionada senhora Turca; Ás que são insultadas e perseguidas por não estarem a usar Burka. Presumo que se não estavam a usar é porque não a queriam usar!
A tua referência ás etiquetagens é pertinente, e penso ter de a aceitar. Espero é que, dentro do possível, não ande para aí a colar etiquetas por tudo, por nada ou pelo que penso á partida ser este ou aquele. Isso seria falta de humildade intlectual.
Na minha cultura há muitas traves. Mas, nunca disse que a minha cultura é perfeita. Disse, é que temos, TODOS (os outros e nós próprios) muito a aprender entre TODOS (a tal referência á aculturação universal): è a dialéctica.
J.P.
Também concordo que a cultura ocidental apregoa a compreensão, mesmo tendo difuculdades em cumprir. Mas, pelo menos apregoa.
Usei caps lock apenas para realçar a ideia principal que queria transmitir: Todos, no sentido de que tem de se levar em conta a liberdade de escolha de cada um.
Se, a exemplo de outros simbolos agora muito usuais, o uso de caps lock tem alguma conotação desagradável que desconheço, peço desculpa.
Enfim, bem ou mal, o mundo já rodava e continuará a rodar, independentemente do que pensa um qualquer j.p'