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Alguém nos explica isto?

Os registos de voo obtidos por Ana Gomes em 2006 revelam que, entre 2002-2006, em pelo menos 94 ocasiões, aviões cruzaram o espaço aéreo português a caminho de ou provenientes da Baía Guantanamo . Em pelo menos 6 ocasiões aviões voaram directamente das Lajes nos Açores para Guantanamo. Ver o relatório da ONG britânica. Não creio que isto nos deixe mais seguros e tenho a certeza de que me deixa a consciência pesada, foi o estado em que me integro que permitiu isto.

PS (por sugestão do Vinhas). As notícias sobre um dos aviões que transportaram presos para Guantánamo e que agora se despenhou no México carregado de cocaína podem ser vistas aqui e aqui ou ainda aqui.

Comentários

vinhas disse…
Com a agravante de alguns dos aviões utilizados no transporte terem mais do que uma função...
Segundo algumas investigações que circulam na net, alguns dos aparelhos de uma "empresa" terão sido usados para o tráfico de cocaína (economia de mercado e rentabilização de serviços, quem sabe?).
Helena Henriques disse…
É a chamada gestão criativa. Pode ler a notícia aqui http://www.mcclatchydc.com/world/story/20060.html
Nuno Gouveia disse…
Cara Helena,

A mim preocupa-me mais que os Paquistaneses que foram presos em Barcelona, quando se preparavam para explodir umas bombas na Catalunha, tenham estado em Portugal. É, que ao contrário dos terroristas rumo a Guantanamo, estes passearam-se livremente por Portugal.
Helena Henriques disse…
Bom Nuno, se entrar por aí em força, prepare-se para apertar o cinto das suas liberdades, tantos Guantánamos se criarão que acabaremos presos num deles. Que diabo, é para isso que existem as secretas, cujo problema é que se soubermos exactamente a informação que têm sobre isso... deixam de ser... secretas.
Nuno Gouveia disse…
O problema é que as secretas andam a fazer um mau trabalho, como se viu no 11 de Setembro, nos atentados terroristas pela Europa fora ou na questão das armas de destruição do Iraque.

Guantanamo não é uma situação ideal e também considero que deveria ser fechada. Mas este folclore à volta de Guantanamo apenas serve para criticar os Estados Unidos.

Será que preferiam que estes terroristas que estão em Guantanamo estivessem presos nos seus países de origem, onde seriam "tratados" de outra forma?

Que interessa se passaram aviões com terroristas, presos, por Portugal?
vinhas disse…
Presumo Nuno que considerará que todos os presos de Guantanamo são terroristas.
Lamento não poder ter essa certeza, uma vez que não foram julgados, apenas torturados e privados de liberdade e das condições mínimas que se exigem na sua defesa.
Auschwitz, Gulags e Guantanamo são respostas de ignorância patética.
Ao utilizar uma prática de combate ao terror pelo terror tornamo-nos iguais ao que abominamos.
Lamento que a América se preocupe tanto com os "terroristas " que criou e nada tenha feito em relação a Birmânia, uma pequena nação predominantemente budista mas que, a pouco e pouco vê crescer a população mulçumana e um belo dia...
Helena Henriques disse…
Pois Nuno, em 1º lugar trata-se de suspeitos, nada me diz< que sejam terroristas, são suspeitos sujeitos a tortura; 2º há princípios que são invioláveis mesmo que o outro actor do conflito de interesses os viole em nosso desfavor, é a nossa dignidade que também se perde se os fizermos).
Os EUA são criticados porque são criticáveis, a política internacional da administração Bush só agudizou os conflitos internacionais em prejuízo de todos nós e dos próprios americanos que têm visto as suas liberdades limitadas pela paranóia securitária. Quanto a terroristas confessos ou como tal condenados por um tribunal independente cumprirem pena no seu país, a resposta é o direito, há acordos de extradição nestes casos? Se sim, nada contra. Noutro tipo de crime, temos o exemplo Arca de Zoé, até agora tudo bem, desde que o Sarkozy não se lembre de vir comutar ou indultar penas - isso sim põe em causa os acordos de extradição. Parece-me que ninguém extradita condenados sabendo que o resultado é a sua não punição.
Nuno Gouveia disse…
Esta discussão é sempre redundante e bem sei que é fácil defender o politicamente correcto no sofá da nossa sociedade hipócrita. Os terroristas não são culpados de nada e os grandes responsáveis são os Estados Unidos. Essa argumentação perdura desde os tempos da guerra-fria. É sobejamente conhecida.

Mas duas coisas:

Comparar Guantanamo a Auschwitz e ao Gulag só pode advir de uma profunda ignorância de quem não sabe o que foram os campos de concentração das duas ideologias totalitárias. Não vale a pena discutir sob este ângulo. É mesmo ignorância comparar campos onde morreram milhões de pessoas com um campo de prisioneiros que alberga menos de 600 terroristas. Mas enfim, são os argumentos de quem deseja horrorizar com o que não tem semelhança alguma.


"Se sim, nada contra?"
Sobre este aspecto, apenas gostava de recordar que a esmagadora maioria dos presos em Guantanamo são árabes. Será que sabe o que fazem nestes países (Jordânia, Arábia Saudita, Egipto, Síria) aos suspeitos de terrorismo? Ou até mesmo aos presos de delito comum? Ou será que apenas se preocupa com os "princípios imutáveis" quando está em questão os Estados Unidos. Se preocupa-se assim tanto sobre estes “princípios imutáveis”, aliás como a sociedade do politicamente correcto, então comecem a escrever posts furiosos e organizar manifestações sobre o que se passa em prisões desse mundo fora, como em Cuba, Coreia do Norte, China, Arábia Saudita, Irão, Síria, etc. Não sejam hipócritas.
Nuno Gouveia disse…
E já agora, queria pedir desculpa se o tom é parece ofensivo. Não era essa a intenção e nestas discussões, às vezes perde-se a delicadeza que deve imperar nesta troca de comentários.
Helena Henriques disse…
Caro Nuno, em 1º lugar o princípio é o mesmo, depois, a existência de um acordo de extradição deverá garantir as situações que refere. Quanto aos EUA, têm em relação aos outros, a desvantagem de se considerarem polícias do mundo.
Helena Henriques disse…
Só mais uma coisa para o Nuno, não precisa de pedir desculpas, defender as suas ideias com veemência não nos ofende, é pelo contrário, apreciado e se todos pensássemos igual, mais valia fazer um blog só com imagens ou não o fazer, acho eu.

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