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Um ano de todos os perigos

Estamos a fazer um ano de blogosfera. Passou rápido, quase sem querer.
Durante este tempo vimos coisas fantásticas que não nos furtamos de comentar, previmos algumas possibilidades que se concretizaram (com muita pena nossa!) e aguardamos sem falsos optimismos o que está para vir.
Durante este período escrevemos sobre a realidade nacional e internacional que mais nos sensibilizou e dessa escrita resultou a necessidade de investigar, indagar e procurar fontes, outras opiniões e outros saberes.
A pouco e pouco a tarefa de “diversão” passou a ser um assunto sério. Obrigava-nos a cada vez mais investimento e tempo e a uma resposta cada vez mais ponderada (e portanto lenta, imprópria para o espírito de um blog). A pouco e pouco não se comentavam notícias: fazia-se investigação sobre os temas. Os posts eram densos e extensos. Enfim, estávamos a escapar a condição de blog, estávamos a ir para algo diferente.
Não damos o tempo como perdido mas é inegável que quanto mais se escava um assunto, mais queremos saber e ter certezas e, por vezes, esta procura resulta numa visão mais opaca e menos natural das coisas.
Afinal, o nome escolhido para o blog até está bem.
Nunca abandonamos um certo posicionamento ideológico nas nossas análises, embora sejamos críticos desse mesmo posicionamento; tentamos que a urgência dos Direitos Humanos e o apelo à dignidade da pessoa humana estivessem sempre presentes a cada texto e se alguma mensagem inconsciente esteve sempre subjacente nos textos foi a de que o sistema partidário, tal como está implantado na maior parte do mundo tem de se modificar, porque os partidos não correspondem à sociedade e não reflectem o pensamento e anseios do cidadão.
A Democracia não se renova e o que não se transforma morre. E sabemos que não há alternativas à Democracia. A urgência dessa mudança passa pela reavaliação do papel da cidadania, da consciência da precariedade global da nossa existência, de que a preservação (da vida, do espaço construído, dos valores) é a única salvação e que a revolução dos espíritos (compreensão, tolerância, desmaterialização da existência) é o que está por acontecer.
Continuamos a crer que o Capitalismo é o sistema mais injusto da terra, que o crescimento económico não serve para nada sem justiça distributiva e que não precisamos de metade do que consumimos.
Este novo cidadão, cuja consciência de actuação parte do Local ao Global não precisa dos partidos: precisa de comunidades de partilha que se organizam em diferentes escalas e que eleja desígnios e não cartazes publicitários.
São essas comunidades que devem substituir os partidos, que devem evitar o populismo, a incoerência, o desrespeito pelo seu eleitorado e que podem construir algo de novo no mundo, um novo caminho, como se novamente iniciássemos os Descobrimentos, um novo mar.
Um mundo sem fronteiras, globalizado não pelas economias mas sim pela solidariedade.

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