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Os feriados do gozo

Geralmente não comento estes “enchidos” que apenas servem para desviar a atenção do essencial, mas como este é divertido, não resisti.

Este assunto (é assunto?) parte de 3 premissas:

1- A relação entre a produtividade e as “pontes”;

2- O excesso de feriados nacionais e a produtividade;

3- A presunção de que uma regulação desta natureza promove a produtividade.

Como a produtividade é a palavra-chave deste raciocínio, vamo analisar o tema.

A dita cuja produtividade está relacionada com três coisas essenciais: conhecimento, meios e organização.

Um trabalhador bem formado na área de desempenho que ocupa (englobando nesta formação o civismo, a responsabilidade e a preocupação com o bem comum), apetrechado com os meios e ferramentas necessárias ao desempenho do lugar que ocupa e inserido numa estrutura coerente e organizada é produtivo.

As perdas de produtividade provocadas por inadequação nos três factores pode redundar em valores variáveis, até a ausência total de resultados.

Um trabalhador sem formação e adaptação continua a novos meios e ferramentas degrada a sua produtividade; um trabalhador sem ferramentas adequadas que potenciem o seu desempenho não “rende” o mesmo e uma estrutura descompensada, em que a estrutura é gerida por “vaidades” e “afinidades”, desorienta e desequilibra a prossecução de níveis elevados de realização.

Então, com isso tudo, onde estão os feriados e as pontes? Em lado nenhum.

Há países mais produtivos que Portugal e que tem mais feriados. Facto.

Há países com menos horas de trabalho semanal e são mais produtivos. Facto.

Afinal, não é o tempo, é a qualidade do desempenho que está em causa.

À boa maneira dos nossos improdutivos representantes, criamos mais um mito depressivo.

A boa notícia é que o problema não está no trabalhador nacional, reconhecido e respeitado noutros países onde se trabalha menos tempo e melhor porque preenchem os 3 aspectos essenciais que ninguém quer abordar.

Assim sendo, estou disponível para gozar o 25 de Abril a 26 ou 27 e o 1º de Maio a 3 ou 4 desde que o 25 de Dezembro possa ser a 27 ou 28 e o 13 de Maio a 12 ou 15.

Sendo a Republica um Estado laico e tolerante (tolerante de ponto quando há Papa!) não tenho qualquer problema em permitir essa satisfação masturbatória e sem nexo, porque os bloggers precisam sempre de temas ridiculos para comentar.

Mas que se registe que as mudanças que importam ocorrem quando lemos os problemas na sua essência e não da imagem que supostamente tem.

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