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Admirável mundo novo

Há tempos surgiu uma notícia sobre a descoberta da bioquímica do amor desmistificando este sentimento. Com efeito explica-se que tudo não passa de um mecanismo cerebral de recompensa governado pelo neurotransmissor dopamina - o mesmo que governa dependências como o tabaco, heroína ou cocaína. E pronto, lá se foi o romântico 'não posso viver sem ti', agora passa a soar como 'não consigo deixar de fumar'.
Ao que parece, os ingredientes do amor não são olhares de carneiro mal morto ou prosaicos bíceps, mas duas hormonas que actuam sobre o cérebro, no caso feminino a oxitoxina, no masculino a vasopressina. Enfim, uma desilusão!
Ainda por cima, a ser assim, esta descoberta tem consequências de longo alcance. Desde logo para os juristas especializados em divórcio. Esqueçam, quando muito poderão accionar médicos ou farmacêuticos por erro nas dosagens prescritas e que podem originar a paixão de um dos cônjuges pelo canalizador ou, quiçá, pelo muro da garagem. Mas não serão apenas juristas os atingidos por esta revolução científica. Os consultores sentimentais terão de reciclar a sua formação, afinal são as neurociências que comandam estas questões e tudo não passa da actuação de químicos no cérebro. Mas isto é o menos, então e os dramas românticos? Romeu e Julieta acabam com um pensinho no braço e está resolvido.
Desolador mundo novo!

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