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Portas-Chavez: o mundo é mesmo uma anedota

Corria o ano do senhor de 2007 quando em artigo do semanário SOL, Paulo Portas desancava no “ditador anunciado” Chavez que (e cito a partir do site da Esquerda Net, já que não consegui encontrar em arquivo o artigo do Sol) “prende opositores”, “fecha televisões”, “quer ser um presidente vitalício” e que é “um ditador anunciado e só não vê quem não quer”.

Volvidos quatro anos (e sabemos que 4 anos em política corresponde ao tempo de formação de uma super nova…) lá estamos nós, sem espinhas, a cravar uns litros de carburante ao digníssimo representante máximo da Venezuela.

Não fosse já de si uma anedota de mal gosto esta coisa moderna que se chama diplomacia despersonalizada, Portas fez estas críticas dias antes de participar no congresso organizado pela União Constitucional Democrática (RCD), o partido d Bem Ali, sim, esse mesmo que os tunisinos deitaram fora através de um movimento com sangue, suor e lágrimas. Sim, desse mesmo país cujo “líder democrático” estava lá há quase três décadas em eleições com resultados “castristas” (99% mais coisa menos coisa).O nome do congresso era, pelos vistos, “Democracia e Desenvolvimento num mundo em mudança.”

Só falta dizer que faz isso por nós…





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