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Populismo - quem pode atirar a primeira pedra?

Deparei, um dia destes, com um forte ataque de Marcelo Rebelo de Sousa a Luís Filipe Menezes, o canal utilizado foi o seu tempo de antena habitual na televisão, a arma de arremesso foi o populismo. Eis a primeira perplexidade, alguém cujo primeiro acto de campanha para a Câmara de Lisboa foi um mergulho no Tejo (nem pensar nisso é bom), usa como arma de arremesso o tal populismo. Continuando no que captei do discurso do Professor, acho curioso, opor um ex-líder do PSD (que preconizava uma popular baixa de impostos contra opiniões credíveis e generalizadas) ao populista (que, por acaso até acha que não se devem descer os impostos).


Obviamente que o facto de não preconizar uma baixa de impostos não faz com que o político não seja populista. Aliás, eu diria que, cada vez mais, os políticos recorrem ao que se poderia chamar de técnicas populistas, uma forma de passar a sua imagem de forma positiva às massas - e isto é triste porque parte do princípio que as massas não têm capacidade crítica, basta a pequena benesse imediata para que endossem a construção do futuro da sociedade em que se integram, mais triste ainda porque parece funcionar, há um défice de cultura cívica na nossa democracia (ou talvez melhor, nas actuais democracias).

Em boa verdade, eu não sei quem é o Luís Filipe Menezes, sei que tem uma pega de longa data com o autarca vizinho - ele e muita gente, não me parece que seja pela virtude de um por oposição aos vícios dos outros - sei que fez "obra" em V.N. de Gaia e que a sua autarquia está endividada, mas... a obra é para além do visível, uma importante evolução em termos ambientais, é indiscutível a requalificação da orla costeira e é notável que se tenham conseguido bandeiras azuis numa zona em que as praias eram ...pouco aconselháveis. Para além disso falámos da célebre frase "sulistas, elitistas e liberais" - a parte liberal é pacífica, acho eu, o problema está em sulistas e elitistas - não era para dizer, dizem-me. Não sei porquê, se por sulistas entendermos centralistas, há de facto um país que se incomoda com o centralismo da capital, com políticos que embrenhados na capital ignoram um país real para o qual estão de costas voltadas, porque não é para dizer? Se a sulistas se contrapõe nortenhos, parece-me algo tonto querer lutar pela hegemonia com a capital - seria de alguma forma preconizar a mudança paisagem e de alguns actores para que tudo ficásse na mesma. É bacoco e sinceramente, não me parece que essa fosse a ideia.

O que tanto aflige? O facto das elites partidárias estarem sujeitas a um qualquer arrivista sem ideologia precisa? Mas... afinal o que preconizam as elites do PSD? Que em termos culturais o país deve bater-se pela Lusofonia, e que a primeira medida a tomar sendo governo é a construção de um Centro Cultural em Madrid? Ou que o país deve apostar nas energias renováveis, sendo a primeira medida preconizada o pesquisa de hidrocarbonetos em território nacional? Ou cinicamente achavam o líder bom para queimar até perto de 2009? Mas afinal que ideologia seguem? São sociais-democratas preconizando actuação residual do Estado? São neo-liberais?

E olhando para estas reflexões, não terá sido algo deste género que Mário Soares quis transmitir ao PS?

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