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Portas: o homem Invisível

Em tempos passados, Portas era um bem-sucedido oposicionista do ainda não filósofo Sócrates.
Pela bravata, discurso arrivista, rapioqueiro (uma das palavras mais bonitas do português, que nosso senhor Graça Moura a conserve!) e populismo a rodos andava o que tinha o cognome de “Paulinho das feiras” de terra em terra, de pasto em pasto a apregoar os malefícios do socialista Sócrates; onde havia uma vaca por mugir, uma ovelha a parir e uma rima de moscas de cavalo a flutuar sob o desastre da agricultura nacional, lá estava ele, o Portas, a perorar sobre uma proposta básica, óbvia e incipiente que ninguém irá implementar porque oca de razoabilidade. Era o maior produtor agricola de sound bites, de discursos de circunstância, de enfeites.

Durante muito tempo soubemos que, se havia ajuntamento nas feiras ou era ASAE ou Paulo Portas. Agora, temos saudades.
O que é feito do homem jeitoso que de boné taxista e camisa arregaçada evitava a bosta dos campos com passo de bailarina? Portas adquiriu novos poderes transformando-se no Homem Invisível!
Agora, não podemos vê-lo em território nacional e ilhas adjacentes. Talvez nas ex-colónias, quando muito, mas mesmo assim disfarçado de estadista que nunca disse o que disse sobre o governo angolano. Para ver Portas é preciso estar longe. O mais perto que se consegue acho que é Bruxelas, mas onde podemos ter a noção de que ele ainda existe é em Washington, Brasília ou Pequim.

O super poder do Homem Invisível é óbvio! Poe-se ao longe e deixa o circo nacional arder com o PSD todo lá dentro. Quando este partido sem vitamina C ficar do tamanho de uma tangerina algarvia subnutrida, Portas sofrerá uma transformação e reaparecerá para salvar a direita lusa!
A par desta poderosa estratégia de desaparecimento, Portas usa como arma alternativa o “sorriso esfinge” com os jornalistas (tão queridos os meus colegas!) e o “nim” (afirmação perentória de coisa alguma) que não o compromete com nada do que estes tontos do Governo andam para aí a fazer; não se lhe arranca nem um verbo sobre política nacional, quando muito uma trivial anuência ao esforço desenvolvido pelo Governo. O mais próximo que se consegue é um amuo contra o “Sócrates e as políticas destrutivas do PS”. Mas mesmo isso já é q.b.

Quanto a mim o dom da invisibilidade manter-se-á por mais 3 anos, altura em que tudo vai começar a falhar e, num ápice, Portas voltará reverberando sobre a incapacidade do jovem Passos que nos levou para o buraco e que ele – só ele – poderá salvar esta jangada de pedra que naufraga sem pedir licença.

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